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Vito Letizia e Emmanuel Nakamura em 2008

O projeto base das entrevistas com Vito

O projeto de pesquisa que deu origem aos três livros que compõem a coleção “Diálogos com Vito Letizia” surgiu do encontro de dois grupos de amigos do professor e marxista. O primeiro era composto de ex-integrantes da Libelu, “os modernos”, que militaram com Vito nos anos 1970 e 1980, no contexto da ditadura e da reabertura política. O segundo grupo, “os clássicos”, era formado por ex-alunos de economia da PUC-SP. Junto com Vito, eles formaram um grupo de estudos que durou quase duas décadas.

Montagem. Vito Letizia em 2008 e Paulo Arantes em 2016

Vito Letizia no ‘Seminário das Quartas’

Em 26 de outubro de 2011, Vito Letizia deu uma de suas últimas palestras públicas, como convidado do “Seminário das Quartas”. O encontro, organizado pelo filósofo Paulo Arantes, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), teve como tema a crise do capitalismo. Publicamos aqui a transcrição da palestra e do debate que se seguiu.

Vito Letizia na revista "Caros Amigos"

Destruição da Amazônia financia o crescimento brasileiro

Em entrevista à revista “Caros Amigos”, Vito Letizia faz um balanço da crise mundial do capital, e em particular do lugar ocupado pelo Brasil e suas perspectivas.
“Há uma crise na zona do euro, uma crise de acúmulo de dívidas públicas, que já há algum tempo impede os países da zona do euro de ter um déficit público máximo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Nem a Alemanha, que é o país mais forte, está cumprindo esse objetivo.”

Retrato de Karl Marx, por volta de 1865

Do objeto útil ao valor

Riqueza, em termos gerais, é o conjunto das coisas capazes de satisfazer necessidades. Muito mais do que nos modos de produção precedentes, em que as trocas estavam menos desenvolvidas, a riqueza no modo de produção capitalista é constituída por mercadorias. Pois tudo que é apreciado na sociedade capitalista é comerciável e nela quem nada tem para vender e nada pode comprar não tem acesso à riqueza. É necessário, portanto, primeiramente definir esse elemento essencial à sobrevivência na sociedade capitalista: a mercadoria.

Marcha contra Wall Street, em Nova York, em 29 de abril de 2010

A grande crise rastejante

A crise econômica atual, irrompida em 2008, embora tenha produzido no mundo maior destruição de capital e emprego do que a Grande Depressão, já está sendo considerada declinante ou encerrada pela maioria dos economistas. Os porta-vozes de mais de um governo, principalmente na área capitalista periférica, estão anunciando o “fim da crise” e alguns, como o Brasil, já estão falando até em “pós-crise”. Como é isso possível?

Ilustração para o artigo "Enfrentar a grande crise", de Vito Letizia.

Enfrentar a grande crise

Segundo Clément Juglar, o teórico dos ciclos econômicos, a riqueza das nações pode ser medida pela violência das crises que atravessam. Sendo assim, pode-se dizer que desde agosto de 2007 os EUA estão demonstrando que continuam a ser a nação mais rica do mundo. E em setembro do ano seguinte, o mundo percebeu que não será mero espectador dessa demonstração. Também percebeu que a serenidade de Juglar não é comum entre os economistas de hoje, pois o que mais se vê são comentários indignados sobre os riscos assumidos por bancos e grandes empresas do planeta, e sugestões de novas regras de avaliação e controle das atividades financeiras.

Mapa da América Latina com as bandeiras de cada país

Estamos apenas no início de uma grande crise mundial

Nesta entrevista à revista Caros Amigos, Vito Letizia põe em foco a América Latina. Com sua habitual lucidez, ele analisa o advento do “chavismo” (incluindo a proposta que se tornou conhecida como “socialismo do século 21”), e as perspectivas postas para as lutas travadas por trabalhadores urbanos e rurais, combinadas, na primeira década do século, com a emergência significativa das mobilizações dos povos originários. O Brasil, obviamente, merece um destaque especial, em particular no que se refere ao início de um balanço necessário sobre a trajetória do PT, da CUT e de importantes movimentos sociais, como o MST.

Capa da primeira edição alemã de “O Capital”, de Karl Marx, de 1867.

Contradições que movem o valor

Marx demonstrou que as formas de manifestação do valor decorrem das contradições sociais que põem em movimento as mercadorias. Com esse método crítico, ele estudou o valor na sociedade capitalista, com os desdobramentos acarretados pela expansão e diversificação da produção capitalista de mercadorias.
A teoria crítica do valor não deve ser confundida com a teoria do valor-trabalho de Adam Smith. Porque, embora ambas teorias reconheçam o trabalho como fundamento da quantificação do valor, “trabalho” e “valor” não têm o mesmo sentido em Marx e Adam Smith.
Vito Letizia faz uma análise sobre o conceito de valor na sociedade capitalista, a partir de O Capital, de Karl Marx.

Capa do livro "A Mundialização do Capital", de François Chesnais.

A mundialização do capital

O livro de François Chesnais, A Mundialização do Capital, tem sido mal compreendido. É visto, em geral, como obra de crítica ao neoliberalismo. E, como tal, é jogado na vala comum da esquerda neokeynesiana que domina amplamente o antineoliberalismo.
François Chesnais não é neokeynesiano. Não está preocupado com sugestões para que o capitalismo retome um “desenvolvimento sustentado”. Limita-se a dissecar o capitalismo da atualidade, usando uma metodologia marxista sem concessões, para demonstrar o caráter destrutivo das forças econômicas desencadeadas com a virada thatcherista, a partir dos anos 1980.

Ato em Paris contra a reforma da Previdência

Conquistas sociais x neoliberalismo

Desde 1968, não se via uma greve tão forte como a que sacudiu a França durante todo o mês de dezembro de 1995. Mais de um milhão de pessoas na rua em Paris; adesão enorme de não-grevistas, misturando todos os atingidos pela política do governo; expansão rápida do movimento, criando um fato político novo, que atingiu todo o país. Não foi a primeira grande mobilização contra as políticas neoliberais dos governos europeus. Já ocorrera uma na Alemanha, em 1992 (servidores públicos); e depois, na França, em 1993 (Air Inter). Porém, foram lutas basicamente sindicais. Em dezembro último, ocorreu algo novo: uma manifestação maciça, claramente opondo o povo ao governo e rejeitando um plano econômico.