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Vito Letizia e Emmanuel Nakamura em 2008

O projeto base das entrevistas com Vito

O projeto de pesquisa que deu origem aos três livros que compõem a coleção “Diálogos com Vito Letizia” surgiu do encontro de dois grupos de amigos do professor e marxista. O primeiro era composto de ex-integrantes da Libelu, “os modernos”, que militaram com Vito nos anos 1970 e 1980, no contexto da ditadura e da reabertura política. O segundo grupo, “os clássicos”, era formado por ex-alunos de economia da PUC-SP. Junto com Vito, eles formaram um grupo de estudos que durou quase duas décadas.

"La Nuit du 9 au 10 thermidor an II", gravura de Tassaert, sobre a prisão de Robespierre.

O termidor da Revolução Russa

Toda revolução, no sentido próprio do termo (adquirido a partir da Revolução Francesa), é uma crise de dominação de uma classe social. O conjunto de acontecimentos que constituem tal crise põe em movimento um processo de derrubada de uma classe social dominante. Evidentemente, tal tendência pode não se realizar e a dominação em vigor pode sobreviver à crise; ou pode se realizar a meias, dando origem a uma dominação renovada, em que parte das classes sociais antes subalternas passa a partilhar o poder com parte da classe previamente dominante (como ocorreu na Revolução Inglesa). Mas no caso em que a revolução se desenvolve até suas últimas consequências há uma mudança qualitativa.

pintura da Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789

A Revolução Francesa de 1789

A crise final da monarquia absolutista francesa nos últimos decênios do século 18 foi o estouro de contradições acumuladas ao longo de mais de 150 anos, decorrentes de suas próprias medidas contra a crise que atravessara na primeira metade do século anterior, na mesma época da Revolução Inglesa. Vito Letizia analisa o processo que levou à Revolução Francesa e apresenta uma cronologia.

Revolta Taiping, retomada de Anqing em 1886

A pesada herança histórica da China moderna

Os romanos chamavam de Serica o desconhecido país de onde vinha a seda, intermediada pelos povos da Ásia Central e do Oriente Médio. Correspondia ao que hoje é a China do Norte, excluída a Mongólia. Ali, a partir de aproximadamente 1050 a.C., surgiram, no vale médio do rio Amarelo (Huang he), vários Estados que foram se estendendo para o sul, para o vale do rio Azul (Chang jiang, ou Yangzi). Esses Estados foram pela primeira vez unificados em 221 a.C. e, pouco depois (202 a.C.), o império passou a ser governado pela dinastia Han, que, com um pequeno interregno, durou até 196 d.C., ou seja, quase 400 anos. Daí o uso do nome “Han” para designar etnicamente os chineses.

Comício pelas diretas-já na praça da Sé, em 25 de janeiro de 1984

Brasil 2000

Talvez as grandes manifestações de 1984 contra o regime militar por eleições presidenciais diretas tenham sido o último lampejo de ilusões populares na nação brasileira.
Elas apareceram pela primeira vez, como não poderia deixar de ser, em 1822, quando muitos acreditaram que a proclamada independência significaria o início da transformação do empreendimento mercantil colonial em país apropriável por todos os seus moradores. Naquele momento, mesmo entre os escravos brotaram esperanças, em parte alimentadas pela libertação dos escravos no Haiti.

Charge de Carlos Latuff sobre a Palestina, 2011

A terceira oportunidade imperial americana

Desde a Guerra da Secessão, as grandes guinadas na política externa dos Estados Unidos sempre foram deflagradas por explosões. A explosão do couraçado “Maine” em 1898, no porto de Havana (266 marinheiros mortos), abriu caminho à ocupação de Porto Rico e das colônias espanholas do Pacífico (mais a anexação do Havaí, reino nativo independente), logo seguida pela ocupação da zona do Canal do Panamá (1903), ao mesmo tempo em que antigas proclamações de certo direito ao lugar de potência hegemônica no continente americano entravam efetivamente em vigor.

Palestra de Mário Pedrosa sobre a URSS no jornal Vanguarda Socialista.

Realidade e opinião sobre a URSS: no apogeu e após a queda

Em 1946 o jornal “Vanguarda Socialista”, criado por um grupo de militantes ex-comunistas e ex-trotskistas, publicou uma série de palestras sobre a Revolução Russa e seus resultados, pronunciadas por Mário Pedrosa, jornalista e crítico de arte, antigo militante do Partido Comunista, e depois da Oposição de Esquerda fundada por Trotsky, com a qual acabou por romper em 1939. Vale a pena comparar a impressão causada pela URSS triunfante do tempo de Stalin, mesmo entre militantes antistalinistas como Mário Pedrosa, com a perplexidade geral de hoje ante o desmoronamento inesperado daquela potência aparentemente imbatível.

Detalhe da capa do livro A Era dos Extremos

A Era dos Extremos

Talvez o maior mérito do livro A era dos extremos de Hobsbawm seja transmitir uma forte impressão do tamanho da catástrofe humana que foi o século XX. Catástrofe em relação às mortandades gigantescas, sem equiparação possível com qualquer período histórico anterior. Catástrofe em relação à desvalorização do indivíduo, ao qual, durante longos momentos do século, foram negados todos os direitos humanos e civis, que haviam sido arduamente conquistados durante o “longo século” precedente: 1789-1914.