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O pensamento de Vito Letizia

Ao longo dos últimos anos de sua vida, Vito Letizia produziu uma série de artigos, ensaios e aulas sobre os mais diversos assuntos. Apesar do tempo passado, os temas que Vito aborda e sua crítica aguçada não perderam em nada sua atualidade e importância.

Alguns textos foram publicados em revistas como “O Olho da História” ou em livros, outros apenas no site de Cemap-Interludium. Esta página é um índice de todos os que já reunimos. A pesquisa em seu acervo, que está em andamento, mostra que também existem artigos inéditos, que pretendemos publicar conforme sejam identificados e catalogados. Ou seja, esta página terá atualizações!


pintura da Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789

A Revolução Francesa de 1789

A crise final da monarquia absolutista francesa nos últimos decênios do século 18 foi o estouro de contradições acumuladas ao longo de mais de 150 anos, decorrentes de suas próprias medidas contra a crise que atravessara na primeira metade do século anterior, na mesma época da Revolução Inglesa. Vito Letizia analisa o processo que levou à Revolução Francesa e apresenta uma cronologia. Continue a ler

Revolta Taiping, retomada de Anqing em 1886

A pesada herança histórica da China moderna

Os romanos chamavam de Serica o desconhecido país de onde vinha a seda, intermediada pelos povos da Ásia Central e do Oriente Médio. Correspondia ao que hoje é a China do Norte, excluída a Mongólia. Ali, a partir de aproximadamente 1050 a.C., surgiram, no vale médio do rio Amarelo (Huang he), vários Estados que foram se estendendo para o sul, para o vale do rio Azul (Chang jiang, ou Yangzi). Esses Estados foram pela primeira vez unificados em 221 a.C. e, pouco depois (202 a.C.), o império passou a ser governado pela dinastia Han, que, com um pequeno interregno, durou até 196 d.C., ou seja, quase 400 anos. Daí o uso do nome “Han” para designar etnicamente os chineses. Continue a ler

Capa da primeira edição alemã de “O Capital”, de Karl Marx, de 1867.

Contradições que movem o valor

Marx demonstrou que as formas de manifestação do valor decorrem das contradições sociais que põem em movimento as mercadorias. Com esse método crítico, ele estudou o valor na sociedade capitalista, com os desdobramentos acarretados pela expansão e diversificação da produção capitalista de mercadorias. A teoria crítica do valor não deve ser confundida com a teoria do valor-trabalho de Adam Smith. Porque, embora ambas teorias reconheçam o trabalho como fundamento da quantificação do valor, “trabalho” e “valor” não têm o mesmo sentido em Marx e Adam Smith. Vito Letizia faz uma análise sobre o conceito de valor na sociedade capitalista, a partir de O Capital, de Karl Marx. Continue a ler

Passeata na Ladeira do Carmo, na greve geral de 1917

Marx, os marxistas e a relação sindicato-partido-socialismo: seu passado e seu futuro

Após a queda do muro de Berlim multiplicam-se as teorias que defendem “um novo papel” para os sindicatos: o sindicalismo “moderno” deveria ser mais “construtivo” e propor soluções “viáveis” nas negociações trabalhistas; deveria considerar os patrões sob um ângulo mais “positivo” e aprender a reivindicar pensando também na empresa. Segundo o “consenso” martelado pela mídia, a história teria provado que é falsa a teoria marxista, que afirma o antagonismo de interesses entre empregados e patrões. Aliás, o marxismo como um todo seria um grande equívoco. Continue a ler

Comício pelas diretas-já na praça da Sé, em 25 de janeiro de 1984

Brasil 2000

Talvez as grandes manifestações de 1984 contra o regime militar por eleições presidenciais diretas tenham sido o último lampejo de ilusões populares na nação brasileira. Elas apareceram pela primeira vez, como não poderia deixar de ser, em 1822, quando muitos acreditaram que a proclamada independência significaria o início da transformação do empreendimento mercantil colonial em país apropriável por todos os seus moradores. Naquele momento, mesmo entre os escravos brotaram esperanças, em parte alimentadas pela libertação dos escravos no Haiti. Continue a ler

Charge de Carlos Latuff sobre a Palestina, 2011

A terceira oportunidade imperial americana

Desde a Guerra da Secessão, as grandes guinadas na política externa dos Estados Unidos sempre foram deflagradas por explosões. A explosão do couraçado “Maine” em 1898, no porto de Havana (266 marinheiros mortos), abriu caminho à ocupação de Porto Rico e das colônias espanholas do Pacífico (mais a anexação do Havaí, reino nativo independente), logo seguida pela ocupação da zona do Canal do Panamá (1903), ao mesmo tempo em que antigas proclamações de certo direito ao lugar de potência hegemônica no continente americano entravam efetivamente em vigor. Continue a ler

Palestra de Mário Pedrosa sobre a URSS no jornal Vanguarda Socialista.

Realidade e opinião sobre a URSS: no apogeu e após a queda

Em 1946 o jornal “Vanguarda Socialista”, criado por um grupo de militantes ex-comunistas e ex-trotskistas, publicou uma série de palestras sobre a Revolução Russa e seus resultados, pronunciadas por Mário Pedrosa, jornalista e crítico de arte, antigo militante do Partido Comunista, e depois da Oposição de Esquerda fundada por Trotsky, com a qual acabou por romper em 1939. Vale a pena comparar a impressão causada pela URSS triunfante do tempo de Stalin, mesmo entre militantes antistalinistas como Mário Pedrosa, com a perplexidade geral de hoje ante o desmoronamento inesperado daquela potência aparentemente imbatível. Continue a ler

Capa do livro "A Mundialização do Capital", de François Chesnais.

A mundialização do capital

O livro de François Chesnais, A Mundialização do Capital, tem sido mal compreendido. É visto, em geral, como obra de crítica ao neoliberalismo. E, como tal, é jogado na vala comum da esquerda neokeynesiana que domina amplamente o antineoliberalismo. François Chesnais não é neokeynesiano. Não está preocupado com sugestões para que o capitalismo retome um “desenvolvimento sustentado”. Limita-se a dissecar o capitalismo da atualidade, usando uma metodologia marxista sem concessões, para demonstrar o caráter destrutivo das forças econômicas desencadeadas com a virada thatcherista, a partir dos anos 1980. Continue a ler

Ato em Paris contra a reforma da Previdência

Conquistas sociais x neoliberalismo

Desde 1968, não se via uma greve tão forte como a que sacudiu a França durante todo o mês de dezembro de 1995. Mais de um milhão de pessoas na rua em Paris; adesão enorme de não-grevistas, misturando todos os atingidos pela política do governo; expansão rápida do movimento, criando um fato político novo, que atingiu todo o país. Não foi a primeira grande mobilização contra as políticas neoliberais dos governos europeus. Já ocorrera uma na Alemanha, em 1992 (servidores públicos); e depois, na França, em 1993 (Air Inter). Porém, foram lutas basicamente sindicais. Em dezembro último, ocorreu algo novo: uma manifestação maciça, claramente opondo o povo ao governo e rejeitando um plano econômico. Continue a ler

Detalhe da capa do livro A Era dos Extremos

A Era dos Extremos

Talvez o maior mérito do livro A era dos extremos de Hobsbawm seja transmitir uma forte impressão do tamanho da catástrofe humana que foi o século XX. Catástrofe em relação às mortandades gigantescas, sem equiparação possível com qualquer período histórico anterior. Catástrofe em relação à desvalorização do indivíduo, ao qual, durante longos momentos do século, foram negados todos os direitos humanos e civis, que haviam sido arduamente conquistados durante o “longo século” precedente: 1789-1914. Continue a ler