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Montagem. Vito Letizia em 2008 e Paulo Arantes em 2016

Vito Letizia no ‘Seminário das Quartas’

Em 26 de outubro de 2011, Vito Letizia deu uma de suas últimas palestras públicas, como convidado do “Seminário das Quartas”. O encontro, organizado pelo filósofo Paulo Arantes, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), teve como tema a crise do capitalismo. Publicamos aqui a transcrição da palestra e do debate que se seguiu.

Retrato de Karl Marx, por volta de 1865

Do objeto útil ao valor

Riqueza, em termos gerais, é o conjunto das coisas capazes de satisfazer necessidades. Muito mais do que nos modos de produção precedentes, em que as trocas estavam menos desenvolvidas, a riqueza no modo de produção capitalista é constituída por mercadorias. Pois tudo que é apreciado na sociedade capitalista é comerciável e nela quem nada tem para vender e nada pode comprar não tem acesso à riqueza. É necessário, portanto, primeiramente definir esse elemento essencial à sobrevivência na sociedade capitalista: a mercadoria.

Entrevista de Vito Letizia publicada na “Caros Amigos”.

Vito Letizia propõe uma volta a Marx

“A esquerda deve lutar para que o povo brasileiro tenha acesso a tudo o que lhe foi historicamente negado. Mas, absolutamente tudo lhe foi negado: a terra, o próprio país.” Em entrevista a José Arbex Jr., da revista Caros Amigos, Vito Letizia propõe um retorno à crítica da economia política de Karl Marx e uma releitura da experiência histórica da esquerda, a começar pela demolição do conceito de “vanguarda” e pela crítica aos métodos e concepções sobre classes sociais, partidos revolucionários e direções dos que se dizem marxistas.

“História e Consciência de Classe”, de György Lukács.

História e Consciência de Classe

A partir de uma excelente exposição do pensamento de Engels sobre a contradição entre os motivos que fazem os homens agir e as forças históricas que fazem tais motivos surgir, Lukács vai além e cria um edifício de arrazoados sobre um assunto que não mereceu atenção, quer de Marx quer de Engels: “a consciência de classe”.
O novo tema adquiriu interesse quando da vitória bolchevique na Rússia e das inevitáveis comparações do partido russo com a social-democracia da Europa Ocidental. A todos os esperançosos no futuro da Revolução de Outubro pareceu que os bolcheviques teriam atingido um “nível de consciência” superior, capaz de iluminar o caminho para o socialismo. Esperança que depois se frustrou.

Capa da primeira edição alemã de “O Capital”, de Karl Marx, de 1867.

Contradições que movem o valor

Marx demonstrou que as formas de manifestação do valor decorrem das contradições sociais que põem em movimento as mercadorias. Com esse método crítico, ele estudou o valor na sociedade capitalista, com os desdobramentos acarretados pela expansão e diversificação da produção capitalista de mercadorias.
A teoria crítica do valor não deve ser confundida com a teoria do valor-trabalho de Adam Smith. Porque, embora ambas teorias reconheçam o trabalho como fundamento da quantificação do valor, “trabalho” e “valor” não têm o mesmo sentido em Marx e Adam Smith.
Vito Letizia faz uma análise sobre o conceito de valor na sociedade capitalista, a partir de O Capital, de Karl Marx.

Passeata na Ladeira do Carmo, na greve geral de 1917

Marx, os marxistas e a relação sindicato-partido-socialismo: seu passado e seu futuro

Após a queda do muro de Berlim multiplicam-se as teorias que defendem “um novo papel” para os sindicatos: o sindicalismo “moderno” deveria ser mais “construtivo” e propor soluções “viáveis” nas negociações trabalhistas; deveria considerar os patrões sob um ângulo mais “positivo” e aprender a reivindicar pensando também na empresa.
Segundo o “consenso” martelado pela mídia, a história teria provado que é falsa a teoria marxista, que afirma o antagonismo de interesses entre empregados e patrões. Aliás, o marxismo como um todo seria um grande equívoco.

Capa do livro "A Mundialização do Capital", de François Chesnais.

A mundialização do capital

O livro de François Chesnais, A Mundialização do Capital, tem sido mal compreendido. É visto, em geral, como obra de crítica ao neoliberalismo. E, como tal, é jogado na vala comum da esquerda neokeynesiana que domina amplamente o antineoliberalismo.
François Chesnais não é neokeynesiano. Não está preocupado com sugestões para que o capitalismo retome um “desenvolvimento sustentado”. Limita-se a dissecar o capitalismo da atualidade, usando uma metodologia marxista sem concessões, para demonstrar o caráter destrutivo das forças econômicas desencadeadas com a virada thatcherista, a partir dos anos 1980.