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"La Nuit du 9 au 10 thermidor an II", gravura de Tassaert, sobre a prisão de Robespierre.

O termidor da Revolução Russa

Toda revolução, no sentido próprio do termo (adquirido a partir da Revolução Francesa), é uma crise de dominação de uma classe social. O conjunto de acontecimentos que constituem tal crise põe em movimento um processo de derrubada de uma classe social dominante. Evidentemente, tal tendência pode não se realizar e a dominação em vigor pode sobreviver à crise; ou pode se realizar a meias, dando origem a uma dominação renovada, em que parte das classes sociais antes subalternas passa a partilhar o poder com parte da classe previamente dominante (como ocorreu na Revolução Inglesa). Mas no caso em que a revolução se desenvolve até suas últimas consequências há uma mudança qualitativa.

Ato em Paris contra a reforma da Previdência

Conquistas sociais x neoliberalismo

Desde 1968, não se via uma greve tão forte como a que sacudiu a França durante todo o mês de dezembro de 1995. Mais de um milhão de pessoas na rua em Paris; adesão enorme de não-grevistas, misturando todos os atingidos pela política do governo; expansão rápida do movimento, criando um fato político novo, que atingiu todo o país. Não foi a primeira grande mobilização contra as políticas neoliberais dos governos europeus. Já ocorrera uma na Alemanha, em 1992 (servidores públicos); e depois, na França, em 1993 (Air Inter). Porém, foram lutas basicamente sindicais. Em dezembro último, ocorreu algo novo: uma manifestação maciça, claramente opondo o povo ao governo e rejeitando um plano econômico.